Manifesto I – Espiando a caixa

Entre os dias 9 e 11 de novembro, vão acontecer as eleições para o CA da ECA (Centro Acadêmico Lupe Cotrim – CALC). Por isso, nós, da chapa Pandora, queremos conversar com você sobre a nossa Escola.

Pandora abriu a misteriosa caixa e lá de dentro, numa nuvem preta, escaparam todas as maldições que assolavam a humanidade. Ela tentou fechá-la, mas já era tarde. Praticamente vazia, restou apenas um último sentimento: a esperança!

A chapa

Ao escolher o nome da chapa, pensamos no significado de Pandora: mulher que contraria os deuses e abre a caixa que esconde todos os males da humanidade. Pandora, então, pode ser vista como fonte de força: deu aos homens a chance de enfrentarem as dificuldades do mundo e avançarem. O mito, assim como nossa chapa, valoriza a mulher e ressalta o papel do ser humano como agente capaz de transformar a situação vigente, desafiando a ordem estabelecida.

A caixa que armazena a esperança representa todos os problemas enfrentados diariamente pelos universitários: a insuficiência material, a falta de democracia na estrutura de poder, de apoio às pesquisas e à permanência estudantil, o excesso de burocracias, as grades curriculares desatualizadas. Acreditamos que o CA deve expor esses problemas e se unir aos alunos na busca por respostas e soluções.

A esperança transmite nossa concepção de luta: apesar de todos os problemas e dificuldades, acreditamos na mobilização dos alunos como ferramenta essencial na realização do sonho de uma Universidade de qualidade para todos. Uma esperança em movimento que impulsiona nossa vontade de transformação.

Para nós, a educação tem que ser assim: pública, gratuita e democrática. Só se constrói um conhecimento realmente útil para a sociedade, se a própria sociedade participa dessa construção junto à Universidade.

Hoje, a ECA contempla dez cursos de graduação, mais a EAD e, a partir de 2011, a graduação em Educomunicação. É possível nos unirmos para fazer do CA um espaço que respeite essa diversidade e mobilize os alunos. Acreditamos nesse poder de mobilização como meio de unir causas, discutir ideias, propor soluções e cobrar mudanças.

O que já conquistamos e o que continuaremos a buscar

A Levante! – antiga gestão do CALC, da qual alguns de nós fizemos parte – sempre esteve aberta às iniciativas dos estudantes. Queremos fazer do CA um espaço de exercício da democracia, de diálogo entre os estudantes e todas as categorias que compõem o ambiente universitário.

Sabemos que a Levante! teve dificuldade em chegar a todos os cursos da ECA. Mas com a organização da Semana de Movimentos Socias, do Núcleo de Gênero, do Grupo de Teatro e do Fórum da Graduação, avançou no sentido de consolidar o CALC como espaço de mobilização e movimentação dos estudantes.

Eleições

Se eleita, a Pandora seguirá essa construção, superando dificuldades. Continuaremos lutando por uma Universidade mais abrangente, justa e de qualidade, independente de sermos eleitos. Acreditamos que a luta do movimento estudantil, movida pela esperança, se faz cotidianamente.

PANDORA: ESPERANÇA EM MOVIMENTO!

Atenção para o CALENDÁRIO:

08/11, seg, 12h e 18h Debate entre as chapas na Vivência da ECA

09, 10 e 11/11 – Eleições para o CALC (urnas abertas nas Comunicações, no saguão do prédio Central, e nas Artes, em frente ao teatro laboratório)

 


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Qual o verdadeiro papel de um Centro Acadêmico?

Por Cleyton Vilarino (jornalismo, 2º ano)

Afinal, para que serve um Centro Acadêmico? Para colocar posições pré definidas, bater o martelo e colocar falsos posicionamentos dos estudantes? Ou propor debates honestos, que recebam com respeito as diversas opiniões presentes na ECA?

A ECA, hoje, reflete uma situação conjuntural da sociedade em que vivemos, quando há um enorme preconceito e desinteresse pela política. Nós, da Pandora, acreditamos que é preciso descontruir esse sentimento de desilusão e trazer de volta a esperança dos estudantes no Movimento Estudantil. Para isso, queremos construir um Centro Acadêmico que realmente abarque as opiniões dos alunos da ECA.

Não adianta  pregar posicionamentos decididos por meia dúzia de integrantes do Centro Acadêmico, ou desvalorizar as opiniões que são divergentes da nossa gestão. A realidade da ECA é outra e, diante das várias entidades estudantis (que correspondem a diversas demandas dos estudantes) devemos antes de tudo aproximar o CALC dos estudantes. Mostrar que aquele é um espaço onde ele deve sempre se sentir bem vindo para expressar sua opinião seja ela qual for.

É muito fácil gritar, criticar e acusar defeitos dentro da ECA sem promover uma conversa para descobrir os verdadeiros problemas que estão por trás de tudo. O CALC tem desenvolvido atividades como a Núcleo de Gênero e o Fórum de Graduação justamente com esse objetivo. Não queremos apenas dizer o que está errado, mas sentar com o maior número de alunos possível para construir soluções que realmente reflitam as necessidades e visões do aluno ECAno. Acreditamos no diálogo e assim temos melhorado a relação do CALC com as demais entidades, com os alunos e formando uma democracia verdadeiramente representativa e participativa dentro da ECA!

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Financiamento da Universidade

Acreditando que o acesso à universidade pública seja um direito de todos, pensar aforma como ela é financiada é primordial. Atualmente as universidades estaduais sãofinanciadas por uma parcela fixa de 9,57%, dos quais a USP recebe 5,02%, do ICMS(Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), um tributo embutido em todoproduto e serviço, mas que proporcionalmente pesa mais sobre quem recebe os menoressalários. Assim, vemos que a universidade é financiada pela massa da população,enquanto apenas uma elite têm acesso à mesma. Por isso propomos que o financiamentoda universidade pública seja repensado, de forma que o aporte necessário à ampliaçãoda mesma seja garantido, mas que ao mesmo tempo, o dinheiro seja arrecadado demaneiro proporcional aos ganhos dos contribuintes, desonerando o trabalhador desteencargo.
Fundações


Alegando-se a falta de verbas para a ampliação e manutenção da universidade, mesmoem anos de arrecadação recorde (atualmente registra-se aumento acumulado de 12,5%do ICMS nos últimos 12 meses), a solução apontada por parte da gestão universitáriaé a criação de Fundações. De caráter privado, essas instituições representam aprivatização do espaço público e desvirtuam o caráter público do ensino, pesquisa eextensão, justamente porque as atividades por elas realizadas não visam o interesse dasociedade, mas apenas daqueles que contratam seus serviços.
Acreditamos ser de grande importância debater as fundações na USP para que auniversidade retome o seu real propósito, que é o de atender os interesses da maioriada população, produzindo ensino, tecnologia, ciência e cultura de qualidade. Asfundações que se dizem “sem fins lucrativos” e que muitas vezes se passam por projetosde extensão para passar pela burocracia escondem a sua real vocação e as práticasempresariais da maior parte delas, presentes na universidade com o único propósito derealizar negócios.
Por trás disto está o surgimento de uma verdadeira indústria dos cursos pagos, que seapropriam do nome da USP como logomarca para vender aulas que no final rendem aocomprador um certificado emitido pela universidade. Além do prestígio as fundaçõesse utilizam também de espaços físicos, o que muitas vezes traz uma disputa com asaulas dos cursos regulares por espaço adequado. O argumento de que as fundaçõessão importantes para o orçamento da universidade é outro que cai por terra quando severifica que na verdade os recursos são na maior parte apropriados privadamente pelosseus responsáveis.
Fortalecer esse debate entre os alunos se torna necessário justamente para o processode construção de uma universidade cuja lógica de funcionamento seja verificávelna destinação de sua produção acadêmica e social, caso contrário de que vale umauniversidade pública que só produz conhecimento destinado ao setor privado? Emoutras palavras enxergamos a necessidade de reverter a lógica privatista e mercantil, quese verifica com a presença de fundações que se utilizam do espaço e da “marca USP”,desvirtuando a proposta de extensão e o caráter público da universidade.

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Nossas propostas:

MOVIMENTO ESTUDANTIL

- Por um movimento estudantil autônomo, amplo, democrático e combativo

- Reuniões Ordinárias abertas a voz e voto de todos os estudantes

- Incentivar e promover a criação de grêmios nos cursos, a exemplo do Grêmio de Jornalismo criado em 2010 e do já existente Grêmio das Cênicas.

- Promover, com o conjunto do movimento estudantil da USP e com os alunos da ECA, a 2ª Semana de Movimentos Sociais, para ampliar o contato com os movimentos de fora da universidade.

UNIVERSIDADE

- Por uma universidade pública, gratuita, de qualidade, para todos e todas.

TRIPÉ

- Dar continuidade ao debate sobre reformas curriculares surgido em 2010 no Fórum de Graduação e defender, com os estudantes, as mudanças reivindicadas pelos alunos

- Promover o contato interdisciplinar entre os vários departamentos e cursos na ECA

- Construir um seminário para debater as licenciaturas na ECA e para incluir os estudantes de Educomunicação, que entrarão na escola em 2011

- Promover um Fórum de Extensão para incentivar a criação de novos projetos de extensão e reivindicar verbas permanentes para os projetos já existentes.

- Lutar pelo fim dos cursos pagos na ECA

- Reivindicar que as empresas privadas deixem de ser responsáveis por disciplinas dentro da escola e que suas ações dentro da Universidade sejam devidamente fiscalizadas.

- Reivindicar a divulgação ampla da possibilidade de pesquisa

- Reivindicar que os estudantes tenham a real possibilidade de propor pesquisas desatreladas aos projetos já em curso nos departamentos

- Reivindicar a abertura da biblioteca da ECA aos sábados

ESTRUTURA DE PODER

- Defender comissões paritárias em todas as instâncias decisórias da ECA e eleições diretas para diretor e chefes de departamento.

ACESSO E PERMANÊNCIA

- Defender cotas para estudantes da escola pública e negros, com corte socioeconômico.

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Membros da Pandora

Esses somos nós:

Lira Alli (5º Artes Cênicas)

Ravi Novaes (1º Artes Plásticas)

Suellen (4ºArtes Plásticas)

Suzana (4º Artes Plásticas)

Eliane Pinheiro (5º Artes Plásticas)

Thiago Mahrenholz (2º Audiovisual)

Vagner Rodolfo da Silva (2º Biblioteconomia)

Alessandra Alves  (1º Jornalismo)

Carol Santa Rosa (1º Jornalismo)

Giuliano Galli (1º Jornalismo)

Leonardo Fernandes  (1º Jornalismo)

Clara Roman (2º Jornalismo)

Cleyton Vilarino (2º Jornalismo)

Martina Cavalcanti (3º Jornalismo)

Tulio Bucchioni (3º Jornalismo)

Rafael Nakamura (Naka) (3º Jornalismo)

Camila Souza Ramos (Camis) (4º Jornalismo)

Lia Segre (4º Jornalismo)

Pedro Sibahi (4º Jornalismo)

Tatiane Ribeiro (4º Jornalismo)

Fernando Cymbaluk (6º Jornalismo)

Carlos Eduardo Nicola (2º Publicidade e Propaganda)

Guilherme Xavier Ribeiro (2º Publicidade e Propaganda)

Thaís Sanches Cardoso  (1º Relações Públicas)

Ana Luíza Arra (2º Relações Públicas)

Camila Acosta (2º Relações Públicas)

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